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Gravidez e Fertilidade

Infertilidade por Cirurgia: Quando a Cirurgia Pode Ajudar na Fertilidade

Infertilidade por Cirurgia: Quando a Cirurgia Pode Ajudar na Fertilidade
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A cirurgia foi uma das primeiras abordagens utilizadas no tratamento da infertilidade. Durante muitos anos, representou a principal alternativa terapêutica para diversos problemas do sistema reprodutor feminino e masculino. Com o avanço das técnicas de reprodução assistida, especialmente da Fertilização in Vitro (FIV), o papel da cirurgia mudou significativamente.

Atualmente, alguns procedimentos cirúrgicos continuam sendo fundamentais e apresentam excelentes resultados quando bem indicados. Em outras situações, porém, os benefícios são limitados ou até inferiores aos obtidos com métodos modernos de reprodução humana.

A seguir, destacamos as principais situações em que a cirurgia pode estar relacionada ao tratamento da infertilidade.


1. Anomalias Uterinas

As alterações uterinas podem ser congênitas — presentes desde o desenvolvimento fetal — ou adquiridas ao longo da vida.

Entre as malformações congênitas, o útero septado é uma das condições com indicação cirúrgica mais bem estabelecida, pois o septo pode dificultar a implantação do embrião e aumentar o risco de abortamentos repetidos. A correção costuma ser realizada por histeroscopia, técnica minimamente invasiva e bastante eficaz.

Já os chamados úteros arqueados e muitos casos de útero bicorno atualmente são avaliados de forma mais conservadora, pois nem sempre estão diretamente relacionados à infertilidade. Entretanto, quando existe um corno uterino rudimentar, pode haver risco aumentado de gravidez ectópica, justificando abordagem cirúrgica.

Nos casos de miomas uterinos, a necessidade de cirurgia depende de diversos fatores, como:

  • número de miomas;
  • tamanho;
  • localização;
  • distorção da cavidade uterina;
  • sintomas associados.

Miomas volumosos ou que deformam o interior do útero podem interferir na implantação embrionária e reduzir as chances de gravidez, sendo frequentemente indicados para tratamento cirúrgico.


2. Obstrução das Trompas

Antes da evolução da Fertilização in Vitro, a cirurgia tubária era praticamente a única opção para mulheres com trompas obstruídas.

Hoje, os resultados obtidos com a FIV geralmente superam os alcanados pelas cirurgias reconstrutivas das trompas, especialmente nos casos mais graves. Além disso, as cirurgias tubárias podem aumentar o risco de gravidez ectópica e frequentemente exigem longo período de tentativa até uma possível gestação.

Por esse motivo, muitos especialistas consideram que, em grande parte dos casos, a reprodução assistida oferece melhores perspectivas, especialmente porque a idade da mulher é um fator decisivo no sucesso do tratamento da infertilidade.


3. Lise de Aderências Pélvicas

As aderências pélvicas são faixas de tecido cicatricial que podem surgir após infecções, cirurgias, endometriose ou processos inflamatórios.

A cirurgia para remoção dessas aderências — realizada por laparotomia ou videolaparoscopia — pode melhorar parcialmente a anatomia da pelve. Contudo, os resultados em termos de fertilidade são variáveis.

Em muitos casos, a presença de aderências indica que houve comprometimento prévio das trompas uterinas, podendo existir danos permanentes na função tubária, o que limita as chances de gravidez natural mesmo após o procedimento cirúrgico.


4. Reversão da Laqueadura Tubária

A reversão da laqueadura pode apresentar excelentes resultados quando realizada por equipes experientes em microcirurgia.

Entretanto, o sucesso do procedimento depende de vários fatores, entre eles:

  • idade da mulher;
  • tempo decorrido desde a laqueadura;
  • técnica utilizada na esterilização;
  • quantidade e qualidade das trompas remanescentes.

A videolaparoscopia é frequentemente utilizada para avaliar previamente as condições das trompas e as chances reais de sucesso.

Quando não existem condições favoráveis para reconstrução tubária, a Fertilização in Vitro costuma ser considerada a alternativa mais indicada.


5. Reversão da Vasectomia

A reversão da vasectomia também pode ser realizada por microcirurgia especializada e apresenta melhores resultados quando o intervalo entre a vasectomia e a reversão é menor.

No entanto, recuperar a passagem dos espermatozoides não garante automaticamente a obtenção da gravidez. Em alguns homens, pode ocorrer:

  • baixa contagem de espermatozoides;
  • redução da motilidade;
  • alterações da qualidade seminal.

Nessas situações, tratamentos complementares de reprodução assistida podem ser necessários para aumentar as chances de gestação.


Considerações Finais

A cirurgia ainda possui papel importante no tratamento da infertilidade, mas sua indicação deve ser cuidadosamente individualizada. Com os avanços da medicina reprodutiva, especialmente da Fertilização in Vitro, muitos casos anteriormente tratados exclusivamente com cirurgia passaram a contar com alternativas mais eficazes e seguras.

A escolha do tratamento ideal depende de uma avaliação completa do casal, considerando idade, causa da infertilidade, tempo de tentativas e condições clínicas gerais.

Quanto mais precoce for a investigação especializada, maiores tendem a ser as chances de sucesso no tratamento da infertilidade.

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