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Testemunhos

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Abortar Não!

Por Anônimo • 02/11/1996
Quando entrei naquele consultório chique, com meu namorado e minha mãe, pensei que seria muito fácil. Conversando com o médico, ele me explicou como funcionava a tecnologia americana, a mais avançada e segura de realizar o aborto, o método de sucção. Duraria 5 minutos no máximo. Eu estava grávida de dois meses. Foi muito rápido e fácil. Uma injeção na veia me fez adormecer, não completamente. Sentia o médico mexendo dentro de mim, como se fosse um sonho. Não demorou. Mudei de sala e fiquei dormindo durante dez minutos. Fui, então, para outra sala, já vestida, onde reencontrei minha mãe e meu namorado. Vomitei. Ao total, durou uma meia hora. Saímos de lá e fomos ao Mac Donalds, pois eu estava de jejum há muitas horas para fazer o tal do aborto. Estava aliviada e feliz. Fui direto trabalhar, dava aulas de inglês na época. Estava trabalhando bastante, substituindo uma colega que saíra de licença maternidade. Foi então que comecei a olhar as crianças em minha volta. Todas tão puras e inocentes! As criaturas mais angelicais do mundo... Sofri muito, muito mesmo. Ainda sofro. Não tive com quem conversar, não tive ninguém para dividir minha experiência e, principalmente, minha culpa. Aborto é um assunto proibido. Aqui em casa nunca se falou nisso. Com meu namorado, foi uma tortura, eu queria conversar, ele achava que eu estava arrependida de ter feito o aborto. Ficamos juntos ainda por três anos depois do aborto. Meu filho estaria com dois anos e meio agora, teria nome de anjo. Uma coisa eu me prometi: nunca mais farei outro aborto. Também não pretendo engravidar sem estar absolutamente certa disto. As lembranças se transformaram em ensinamentos, mas ainda me sinto culpada. Em homenagem ao meu bebê, escrevo hoje (02 de novembro de 1999 - finados) essas linhas.

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